{"id":2721,"date":"2025-08-26T17:34:02","date_gmt":"2025-08-26T17:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ri.fictoralimentos.com.br\/?p=2721"},"modified":"2026-01-13T13:53:35","modified_gmt":"2026-01-13T13:53:35","slug":"ifrs-18-o-que-muda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ri.fictoralimentos.com.br\/ar\/ifrs-18-o-que-muda\/","title":{"rendered":"IASB d\u00e1 novo passo em prepara\u00e7\u00e3o do mercado para IFRS 18 e empresas fazem li\u00e7\u00e3o de casa"},"content":{"rendered":"<p>Publicada em 2024, a norma IFRS 18 (Apresenta\u00e7\u00e3o e Divulga\u00e7\u00e3o nas Demonstra\u00e7\u00f5es Financeiras), que substitui a IAS 1 (primeiro \u201cmanual\u201d de apresenta\u00e7\u00e3o das Demonstra\u00e7\u00f5es Financeiras), mexe na estrutura e no conte\u00fado dessas demonstra\u00e7\u00f5es, promete mudar o mercado, representando uma das maiores mudan\u00e7as recentes do regime cont\u00e1bil, especialmente para as companhias abertas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que apenas entre em vigor a partir de 1\u00ba de janeiro de 2027, \u00e9 poss\u00edvel uma aplica\u00e7\u00e3o antecipada. O Conselho das Normas Internacionais de Contabilidade (IASB), inclusive, publicou na \u00faltima semana um documento com exemplos ilustrativos (ainda em rascunho quase final) para nortear as companhias sobre como divulgar incertezas nas demonstra\u00e7\u00f5es financeiras. O momento, agora, \u00e9 de \u201cli\u00e7\u00e3o de casa\u201d para a ado\u00e7\u00e3o da IFRS 18 pelas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>O IASB, que faz parte da IFRS Foundation, \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas normas das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras, incluindo a IFRS 18, enquanto ao ISSB cabem as normas do relat\u00f3rio financeiro de sustentabilidade, como IFRS S1 e S2, \u201cfirmando um compromisso de conectividade entre o que eu fa\u00e7o no reporte, uma demonstra\u00e7\u00e3o financeira, e o que eu fa\u00e7o no reporte financeiro de sustentabilidade\u201d, pontua Reinaldo Oliari, l\u00edder do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e ESG do Ibracon, lembrando que os stakeholders que olham esse relat\u00f3rio s\u00e3o os mesmos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Clareza e transpar\u00eancia com a IFRS 18<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Entre seus pontos, a IFRS 18 traz a exig\u00eancia de clareza na comunica\u00e7\u00e3o de riscos e pol\u00edticas cont\u00e1beis, obrigando a companhia a explicitar melhor incertezas cr\u00edticas (como estimativas cont\u00e1beis, testes de impairment, provis\u00f5es). Essa integra\u00e7\u00e3o entre desempenho financeiro e n\u00e3o financeiro exige que incertezas materiais, sejam regulat\u00f3rias, clim\u00e1ticas ou macroecon\u00f4micas, tamb\u00e9m sejam refletidas nas demonstra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto isso, o IASB divulgou na \u00faltima semana um documento rascunho quase final de como as empresas dever\u00e3o relatar essas incertezas, dando exemplos sobre sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica em casos como de custos de carbono, enchentes e secas, nas demonstra\u00e7\u00f5es financeiras. Embora usem casos clim\u00e1ticos, os princ\u00edpios se aplicam a qualquer tipo de incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando discutimos clima, a empresa pode decidir comprar equipamentos que poluam menos ou que consumam menos energia. Consequentemente, ela ter\u00e1 menor emiss\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa. S\u00f3 que essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia colocada no relat\u00f3rio de longo prazo\u201d, esclarece Oliari, exemplificando que enquanto no caso de um equipamento \u201cmeio mobilizado\u201d, com vida \u00fatil remanescente, no relat\u00f3rio de sustentabilidade pode n\u00e3o ter impacto, na demonstra\u00e7\u00e3o financeira, eventualmente, pode haver um impairment (perda de valor de um ativo). Ou seja, \u00e9 poss\u00edvel fazer essa conex\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio financeiro com o de sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudan\u00e7as na DRE e novas categorias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para especialistas, a altera\u00e7\u00e3o mais significativa trazida pela IFRS 18 diz respeito \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da Demonstra\u00e7\u00e3o do Resultado do Exerc\u00edcio (DRE), que ter\u00e1 \u201ccara nova\u201d. As receitas e despesas da companhia passar\u00e3o a ser divididas em tr\u00eas grandes categorias: Operacional, Investimentos e Financiamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA similaridade com a Demonstra\u00e7\u00e3o dos Fluxos de Caixa (DFC) n\u00e3o \u00e9 mero acaso. O objetivo \u00e9 justamente permitir que os usu\u00e1rios dos Balan\u00e7os consigam correlacionar as receitas e despesas apuradas pelo regime de compet\u00eancia e apresentadas na DRE com os fluxos de caixas divulgados na DFC\u201d, esclarece Fernando Dal-Ri Murcia, diretor de Pesquisas da FIPECAFI e membro do Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis (CPC) e do Comit\u00ea Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS).<\/p>\n\n\n\n<p>A norma tamb\u00e9m traz novos subtotais obrigat\u00f3rios no resultado: Lucro\/Preju\u00edzo Operacional; Lucro\/Preju\u00edzo antes do financiamento e impostos; e Lucro\/Preju\u00edzo antes de impostos, al\u00e9m de regras mais r\u00edgidas sobre classifica\u00e7\u00e3o de itens como \u201cn\u00e3o recorrentes\u201d e o refor\u00e7o na divulga\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas cont\u00e1beis e informa\u00e7\u00f5es relevantes, deixando de fora notas redundantes. Desta forma, altera a estrutura das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras das empresas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios para as companhias abertas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/ri.fictoralimentos.com.br\/ar\/diretorias-conselhos-e-comites\/\">Andr\u00e9 Vasconcellos,<\/a> diretor estatut\u00e1rio de Estrat\u00e9gia, Planejamento e Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Fictor Alimentos, aponta que, muito mais do que uma atualiza\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, a IFRS 18 redefine como as empresas abertas apresentam seu desempenho ao mercado. Para ele, os impactos de sua aplica\u00e7\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m do setor de contabilidade, e devem ser positivos ao mercado, mas h\u00e1 um caminho a ser percorrido na adequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO primeiro grande desafio \u00e9 a padroniza\u00e7\u00e3o da demonstra\u00e7\u00e3o de resultados. A partir de agora, as companhias ter\u00e3o menos espa\u00e7o para formatos pr\u00f3prios e precisar\u00e3o seguir uma estrutura \u00fanica, com subtotais obrigat\u00f3rios. Isso pode mudar significativamente como o investidor percebe a performance da companhia aberta\u201d, diz Vasconcellos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Dal-Ri Murcia, os principais desafios a serem enfrentados na ado\u00e7\u00e3o da IFRS 18 se referem \u00e0 an\u00e1lise e compreens\u00e3o do modelo de neg\u00f3cios e das atividades principais da empresa. \u201cPor exemplo, uma varejista, que al\u00e9m de vender produtos tamb\u00e9m financia seus clientes, dever\u00e1 apresentar as receitas e despesas financeiras como parte do seu lucro operacional. Em outras palavras, para tal empresa o \u2018resultado financeiro&#8217; passa a ser operacional\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os impactos sejam agn\u00f3sticos a setores, a previs\u00e3o do especialista da FIPECAFI \u00e9 que aquelas empresas com maior variedade no modelo de neg\u00f3cios sejam as mais afetadas. \u201cTamb\u00e9m chamaria a aten\u00e7\u00e3o para as companhias que se utilizam de informa\u00e7\u00f5es \u2018Non-GAAP&#8217; (medidas de desempenho utilizadas para incluir ou excluir alguns componentes do resultado, que n\u00e3o seguem os c\u00e1lculos padr\u00e3o dos Princ\u00edpios Cont\u00e1beis Geralmente Aceitos) em seus releases e outras divulga\u00e7\u00f5es ao mercado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da IFRS 18 \u00e9 melhorar a transpar\u00eancia das empresas e o regime informacional dos Balan\u00e7os das companhias, com vistas a permitir que os acionistas e credores consigam tomar melhores decis\u00f5es econ\u00f4micas na aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Ou seja, melhora a visualiza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e aumenta a comparabilidade e a transpar\u00eancia, especialmente no resultado do exerc\u00edcio, trazendo novas exig\u00eancias para segmenta\u00e7\u00e3o de receitas, despesas e m\u00e9tricas de desempenho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto nas m\u00e9tricas de desempenho<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A norma dita que as medidas de desempenho gerencial, por exemplo, s\u00f3 poder\u00e3o ser divulgadas se houver reconcilia\u00e7\u00e3o clara e transparente com os n\u00fameros cont\u00e1beis, o que impacta diretamente na forma como os times de Rela\u00e7\u00f5es com Investidores comunicam os resultados. \u201cSer\u00e1 preciso explicar, de forma t\u00e9cnica e detalhada, cada ajuste feito. Essa exig\u00eancia eleva o grau de responsabilidade e limita o espa\u00e7o para m\u00e9tricas pouco consistentes\u201d, conta Vasconcellos, da Fictor. Deve haver, inclusive, uma maior integra\u00e7\u00e3o sin\u00e9rgica entre a \u00e1rea de RI e a contabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo fonte do mercado que optou pelo anonimato, a nova norma mitiga os riscos de medidas ou altera\u00e7\u00f5es criativas para \u201cparecer que o resultado \u00e9 \u2018menos pior&#8217; ou \u2018melhor&#8217; do que, de fato, ele \u00e9\u201d. \u201cAs companhias abertas v\u00e3o passar a utilizar alguns indicadores de performance que v\u00e3o al\u00e9m dos resultados que j\u00e1 v\u00eam apresentando. Como trazer o EBITDA, EBIT ajustado, LAIR e o LAJIDA, e como conciliar isso de maneira transparente com os n\u00fameros do pr\u00f3prio balan\u00e7o, vai ter um reflexo direto nas apresenta\u00e7\u00f5es\u201d, opina a fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas empresas, como a Fictor, j\u00e1 come\u00e7aram uma fase de \u201cdiagn\u00f3stico\u201d com o objetivo de mapear os principais efeitos da nova normatiza\u00e7\u00e3o. \u201cContudo, existem outras que ainda n\u00e3o se debru\u00e7aram sobre o tema\u201d, lembra Dal-Ri Murcia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVejo o mercado se movimentando para as grandes empresas. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a divulga\u00e7\u00e3o, mas hoje h\u00e1 todos os grandes ERPs, Oracle. H\u00e1 um plano de contas estruturado, contas cont\u00e1beis, a\u00e7\u00f5es, e isso gera a informa\u00e7\u00e3o que vai para a demonstra\u00e7\u00e3o de resultado e notas explicativas. Mudar toda essa estrutura exige investimento\u201d, diz Oliari. \u201cPara as grandes corpora\u00e7\u00f5es, isso j\u00e1 come\u00e7ou. Tem comiss\u00f5es t\u00e9cnicas, grupos de trabalho, espec\u00edfica para a IFRS 18. Essa movimenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou mais esse ano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O executivo do Ibracon ressalta que al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o para a norma em si, as empresas n\u00e3o devem esquecer dos controles internos e de quem est\u00e1 olhando essas informa\u00e7\u00f5es. Ele afirma ainda que n\u00e3o h\u00e1 apenas a implementa\u00e7\u00e3o da norma, mas h\u00e1 uma necessidade de mudan\u00e7a de sistemas, processos e letramento de pessoas. \u201cTodos os controles internos e processos t\u00eam que ser atualizados nesse meio\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/capitalaberto.com.br\/regulamentacao\/iasb-da-novo-passo-em-preparacao-do-mercado-para-ifrs-18-e-empresas-fazem-licao-de-casa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fonte: Capital Aberto<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicada em 2024, a norma IFRS 18 (Apresenta\u00e7\u00e3o e Divulga\u00e7\u00e3o nas Demonstra\u00e7\u00f5es Financeiras), que substitui a IAS 1 (primeiro \u201cmanual\u201d de apresenta\u00e7\u00e3o das Demonstra\u00e7\u00f5es Financeiras), mexe na estrutura e no conte\u00fado dessas demonstra\u00e7\u00f5es, promete mudar o mercado, representando uma das maiores mudan\u00e7as recentes do regime cont\u00e1bil, especialmente para as companhias abertas. 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