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25/04/2025 | 14:25

Taxa de câmbio deve sofrer ainda mais oscilações em 2025

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Especialistas apontam que o dólar continuará sujeito a variações neste ano, influenciado pela política monetária dos Estados Unidos, situação fiscal brasileira e tensões geopolíticas internacionais.

A taxa de câmbio e a cotação do dólar em relação ao real deverão continuar sujeitas a oscilações ao longo de 2025, devido a diversos fatores internos e externos, acreditam analistas do mercado.

Para Maurício Mendes Dutra, conselheiro administrativo da Fictor Alimentos, entre os principais elementos que influenciam a trajetória da taxa de câmbio estão a política monetária dos Estados Unidos, a situação fiscal do Brasil, o desempenho da economia chinesa e os desdobramentos de conflitos geopolíticos. São esses os principais pontos que ele tem levado em consideração em seu dia a dia como executivo.

Impacto das tensões internacionais no câmbio

As tensões internacionais ganharam maior peso nas últimas semanas, após o presidente Donald Trump impor tarifas escalonadas sobre produtos de diversos países, todos eles com déficits comerciais consideráveis com os Estados Unidos. A decisão, com efeito muito mais rápido do que era esperado, provocou uma forte aversão ao risco nos mercados globais, com destaque para a pressão na taxa de câmbio.

A depreciação do câmbio reflete o tom pessimista dos investidores, que observam um horizonte com uma combinação perigosa entre inflação e estagnação econômica, que se desdobra até mesmo em uma recessão.

Na avaliação de Mendes Dutra, embora o real tenha se valorizado em relação ao dólar no curto prazo, devido à queda da moeda americana, o Brasil continua suscetível às flutuações do comércio global e às escolhas políticas externas, que podem impactar diretamente sua economia.

“Antes de Trump retornar à presidência da maior economia global, ao olharmos para 2024, a manutenção de juros elevados nos EUA foi um dos principais fatores que fortaleceram o dólar, tornando os ativos americanos mais atraentes para investidores globais. Isso resultou na diminuição do fluxo de capitais para mercados emergentes, como o Brasil, e na redução da oferta de dólares no mercado interno”, explica o executivo.

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o aumento das tarifas resulta em uma apreciação da taxa de câmbio real proporcional ao incremento das tarifas, por exemplo. A pesquisa analisou dados de 151 países entre 1963 e 2014.

Histórico e cenário fiscal

Entre 12 e 26 de dezembro de 2024, o Banco Central do Brasil realizou intervenções no mercado cambial que somaram US$ 26,7 bilhões, uma tentativa de controlar a valorização da moeda americana. A oscilação do real entre R$ 4,85 e R$ 6,20 por dólar entre 2023 e 2024 evidencia a fragilidade da moeda brasileira frente aos desafios econômicos internos e externos.

“A percepção de risco por parte dos investidores estrangeiros, somado ao aumento dos gastos públicos sem contrapartidas sólidas de arrecadação, tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública brasileira, o que pressiona a taxa de câmbio e a moeda nacional”, ressalta Dutra. Ele complementa dizendo que a alta carga tributária e a complexidade regulatória também são fatores que dificultam o ambiente de negócios no país.

Dutra destaca ainda que a economia chinesa tem um impacto relevante na taxa de câmbio no Brasil. Com a desaceleração do crescimento chinês, houve uma queda na demanda por commodities brasileiras, como soja e minério de ferro, o que reduziu a entrada de dólares no país.

Cenários para a Taxa de Câmbio em 2025

Maurício Mendes Dutra avalia três cenários possíveis para a taxa de câmbio do dólar em 2025:

  • Cenário Otimista: Caso o Brasil avance com reformas estruturais e os EUA iniciem um ciclo de afrouxamento monetário, o real pode se fortalecer, com a taxa de câmbio oscilando entre R$ 4,80 e R$ 5,10.

  • Cenário Pessimista: Se os juros americanos permanecerem elevados e o Brasil não avançar em sua agenda fiscal, o dólar pode superar os R$ 6,00.

  • Cenário Base: Com uma acomodação moderada da política monetária americana e avanços graduais na economia brasileira, a taxa de câmbio deve variar entre R$ 5,30 e R$ 5,70.

Para mitigar os riscos na taxa de câmbio, ele defende a adoção de reformas fiscais e administrativas, o fortalecimento das relações comerciais com outras economias e o estímulo ao desenvolvimento do mercado de capitais local. Além disso, destaca a importância da manutenção de reservas internacionais robustas e do incentivo a investimentos produtivos.

Website: https://ri.fictoralimentos.com.br/

Fonte: Portal Terra

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